quinta-feira, 11 de outubro de 2007

LUCIANO HUCK E A DESIGUALDADE SOCIAL

Vejam só ao ponto que chegamos. Não tenho tido muita vontade de fazer meu exercício de reflexão (se é que posso chamar assim, mas é uma forma de eu parar e tentar refletir acêrca dos acontecimentos que nos envolvem de certa forma todos os dias) de escrever aqui em meu blog.
Passados já alguns dias do acontecido, quando Luciano Huck foi assaltado e desabafou (não sei o que disse ao certo) só sei que teve de dar explicações, muitas explicações. Reforçando a imagem criada e explorada pela "direita" e pela "esquerda" (já não há mais muitas diferenças de comportamento e ideológicas entre ambas - o que importa é estar no poder ou dividi-lo) de rico contra pobre.
Na verdade, para mim, que me encontro naquele nível incômodo de não ser rica nem ser "tão pobre", - não sei se me enquadro na verdadeira classe média, se é que ela existe no Brasil -, fica aquela sensação vazia de não saber o que dizer a respeito. Mas, deixando de lado esta incapacidade de saber ter algo a dizer com clareza e de ter certeza do que se pretende dizer sobre um assunto, este assunto, reflito tentando lançar mão de algumas opiniões observadas que acredito talvez possam estar um pouco mais próximas de uma verdade criada ou absoluta.
Luciano como qualquer outro cidadão tem o direito de ganhar seu dinheiro sim. Como eu, que não sou rica nem tão pobre, me acho no direito de ganhar meu dinheiro com meu trabalho. Apesar de saber que o cerne do problema está na enorme desigualdade social existente provocada pela "velha má" distribuição de renda, da falta de oportunidades igualitárias, tento acreditar de que o Luciano Huck como seus iguais de classe, numa classificação social padrão, ganham seu dinheiro produzindo trabalho, riquezas e oportunidades. Seu programa apenas diverte, não informa nem traz conhecimentos. Mas faz girar uma máquina poderosa de fazer dinheiro, como os jogos de futebol, de basquete, de beisebol, de futebol americano, etc., como os filmes, novelas, etc.. É a força econômica do entretenimento.
Todos trabalham muito, com certeza. Mas cada brasileiro trabalha muito também, só que a maioria não faz girar esta máquina poderosa de criar entretenimento. Não são remunerados com tamanha monta, talvez nem possam ser, mas esta diferença entre remunerações tão desiguais tem de diminuir.
Penso de uma forma simplista: se poucos ganham muito, muitos têm de ganhar pouco. Se a diferença de renda entre um diretor/presidente de uma empresa com relação ao nível mais baixo fosse menor do tem sido haveria a tão proclamada distribuição de renda mais justa e menos cruel. Se a diferença do que ganha uma apresentador de TV, como o Luciano, não fosse um abismo em relação ao funcionário que exerce a mais simples das tarefas para realização do programa, tudo seria melhor. Tudo o que proclamamos como a saída para os males da desigualdade social: falta de educação com qualidade e para todos, falta de um sistema de saúde mais justo, etc., etc., etc., dependem desse "gap" na distribuição de renda (dessa diferença ser menor).
Quando vejo Renans, Jucás, Mercadantes, Idelis, Sarneys, só para citar alguns dos mais conclamados, e, tantos outros de hoje e de ontem, achando que ganham pouco com seus salários e benefícios como deputados e senadores, que precisam enriquecer às custas do dinheiro público em benefício próprio e de seu grupo, fico ainda mais, como dizer, atônita.
E, quando a impunidade e o corporativismo ditam as regras neste país fico, sei lá, achando que este país é uma vergonha? Uma das piores referências mundiais como exemplo do que um país e seu povo nunca devem tolerar?
A fórmula: 1. criar meios de acabar com a corrupção no setor público e privado, excluindo cargos políticos privilegiando os cargos de carreira. 2. punir, sem excessões, qualquer ato ilícito seja lá quem o cometer (com prisão e retorno do dinheiro e dos bens aos cofes públicos). 3. reduzir a desigualdade social promovendo uma distribuição de renda mais igualitária reduzindo as diferenças dos ganhos.
Acho que basta, o resto é competência técnica, administrativa e financeira, integridade pessoal e ética.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

COLUNA PONTO DE VISTA DE STEPHEN KANITZ (REVISTA VEJA)

Sempre leio a coluna Ponto de Vista de Stephen Kanitz na Veja. Gosto de ler o que ele tem a dizer. Para meu espanto essa semana, embora consiga entender o que ele quer dizer e as razões para sustentar seu parecer para o que diz com "Cuidado com o que ouvem".
Fiquei um pouco triste (se é que posso dizer que senti isso realmente), porque me enquadro naquela parcela da sociedade que não possui nenhuma cadeira titular nas Universidades, que segundo ele, são as únicas pessoas dignas de crédito. Concordo. Procuro no meio de tanto "lixo de informações" algo que tenha consistência de um estudo aprofundado e fundamentado em informações também aprofundadas e fundamentadas por outros igualmente intelectuais, isto é, dos realmente intelectuais para os realmente intelectuais.
Estou tão longe de ser alguém com esses pré-requisitos mas, mesmo assim, sinto-me no direito de dizer o que penso, da mesma forma e proporção em que reconheço minhas limitações intelectuais.
Sinto-me entre aquele indivíduo simples que diz verdades simples e que nos demonstra quanto de sabedoria existe e pode existir nas pessoas não contaminadas por tantos saberes intelectuais; e, entre aqueles ditos realmente intelectuais. Sinto-me, portanto, entre a sabedoria que pode nascer com os indivíduos e o conhecimento científico dos que buscam o conhecimento.
Na verdade, me sinto contaminada pelo pouco conhecimento que tenho e que me afasta do ter sabedoria e de estar aquém dos que detêm o conhecimento. Sou o engodo da sociedade, portanto.
E, tenho a pretensão dos que se cegam pensando que podem pensar e dizer o que pensam, e, de colocar a minha opinião em meu blog, o que é muito pior. Mesmo que apenas eu tenha acesso para escrever e ler o que penso pensar sobre algumas questões. Diria ser um exercício único e que pertence a minha capacidade de análise dos fatos ( dos "fatos" ? sei lá!).
Não acredito que o Sr. Stephen Kanitz queira dizer que somos incapazes de pensar. Não acredito que ele acredite que apenas uma pequena parcela de uma elite intelectual seja detentora de uma verdade absoluta, como se de fato existisse uma verdade absoluta.
Há um distanciamento entre os que eles (intelectuais) pensam e sabem sobre a vida e a vida das pessoas, sobre os fatos e as análises filosóficas desses fatos, que ele se espanta de esta intelectualidade está prestes a acabar, isolados como estão da sociedade e de suas necessidades verdadeiras e de suas angústias, num mundo acadêmico pretensamente privilegiado.
É essa pretensa superioridade que tem que acabar. Em escalas diferentes estamos todos numa busca incessante para dar sentido a vida que vivemos. Isso se encontra onde? Nas análises filosóficas no mundo acadêmico apenas ou no dia-a-dia das pessoas? Acho que em ambos. e, o mundo acadêmico também tem que dar ouvidos a esses sinais sob pena de se afastar cada vez mais da realidade da vida e aí sim ir desaparecendo, como teme o Sr. Stephen Kanitz.
Tudo é uma evolução inclusive, e, principalmente, o conhecimento científico. O humanidade e as sociedades evoluíram em muitos sentidos através do conhecimento científico, mas estamos longe de ser o que ainda não somos.
O que dizer do arquiteto Mohammed Klaled cérebro do ataque de 11 de setembro em nome de Osama bin Laden treinado pela Al-Qaeda? Assisti a uma entrevista na Globo News onde seu orientador de Doutorado em uma Universidade na Alemanha é questionado se em algum momento Mohammed Klaled pareceu demonstrar algum sinal, por menor que tivesse sido, de que poderia vir a ser o cérebro de uma operação com tamanho horror pelo maneira como foi executada e pelos resultados desta ação. Ele jamais percebeu nenhum sinal. Mohammed, segundo seu professor e orientador, "era extremamente inteligente".
Não temos uma resposta sobre os atos de horror que cometeu Mohammed. Não temos muitas respostas sobre a excência da natureza humana, seja ela reconhecidamente boa ou ruim, por nossa sociedade ocidental.
Nada pode justificar a morte de pessoas por atos violentos, sejam de que lado pertençam.
Sr. Stephen Kanitz, jamais o Sr. saberá a minha opinião. Ela não se encontra na base dos estudos acadêmicos, ela não tem nenhuma importância.
Mas se algum dia me perguntarem o que penso, sobre determinado assunto, direi o que penso, mesmo que desprovido de base científica de pesquisa aos moldes acadêmicos.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

CONGRESSO BRASILEIRO, SEU DESTINO

Estive tão envolvida em meu trabalho nesses últimos dias, e, por conta disso, acompanhei de longe (e pouco) todo o desfecho "secreto" da descisão do Senado no caso Renangate.
Surpresa alguma com o resultado. Mas profundamente preocupada com todas (não só esta) as atitudes antidemocráticas de todo o Congresso Nacional. As duas casas, Senado e Câmara dos Deputados, têm sempre (não de hoje) tomado descisões contrárias ao interesse público.

Parece que este país não existe na realidade. A Veja fez uma comparação do PT com a Second Life. Mas o que observo é que todos os Poderes Públicos, todos os representantes destes poderes, seja de qual partido forem, parecem viver uma Second Life. E, a sociedade brasileira, parece viver uma vida paralela, porque temos mais o que fazer. Os bolsa família e os sem bolsa alguma (como determinou Reinaldo Azevedo em seu blog na Veja On line a classe média) diferentemente dos bolsa BNDS ( como determinou também aos que se beneficiam do dinheiro público através deste banco de fomento brasileiro) e dos poderes públicos (executivo, legislativo e judiciário) vivem marginalmente à essa Second Life do Sistema.

Os primeiros (os bolsa família) vivem de uma política assistencialista que não lhes conferem condições de alcançac algum dia uma vida mais digna e participativa das descisões tomadas em "nome do povo e para o povo". Os segundos (os sem bolsa) pagam altos impostos e ainda necessitam pagar benefícios privados para garantir melhor educação, sistema de saúde, habitação, por conta dos altos juros que o sistema bancário e financeiro lhes cobram para conceder os benefícios dos financiamentos, cartões de crédito, cheque especial, etc.

Como Renan Calheiros, e, todos os que fazem e fizeram uso do dinheiro público (que pertence à toda a sociedade) para enriquecimento próprio não são punidos? Quando uma sociedade chega a certo grau de conhecimento pela educação ela já não permite que a "velha e uma nova aristocracia" se beneficiem e enriqueçam às custas do dinheiro que deveria e deve ser destinado ao desenvolvimento sustentado e sustentável do país para toda a sociedade.

Às margens dessa Second Life da velha e da nova aristocracia brasileira vivem a sociedade e suas instituições, com seus direitos e deveres, atentas e prestes a "deletar" de uma vez por todas essa Second Life do sistema.

A ética deve ser a pré-condição essencial para ser "um homem de bem e um bom cidadão".

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Governo x Estado

Resolvi, por enquanto, não ter o compromisso de fazer comentários em meu blog diariamente. Eles serão colocados aqui de acordo com o que considero necessário e quando achar necessário.

Hoje percebo com maior clareza o papel do Governo e o do Estado: o Governo trabalha para o Estado. Levando esta afirmação em elevada consideração podemos entender que à sociedade deve satisfações o Governo, e, ao Estado deve a sociedade lutar por instituições sadias e preservá-las.
Quando um Governo permanece em desgoverno ele deve achar o rumo que o Estado clama e a sociedade deve exigir.
Governos de esquerda ou de direita não têm autonomia para fazer "distribuição" de dinheiro público, portanto do povo, sem o aval de uma sociedade organizada com base em instituições sólidas, distribuindo-o a grupos de interesses a eles (governos), afins, a cada novo Governo. Nada de novo.
Para isso, um Governo, que não diminui de tamanho e que sua influência e autonomia não estejam limitadas pelos interesses e pressão da sociedade e das instituições que a representam, deve urgentemente corrigir seu rumo.
As boas intenções devem ser concretizadas com realizações. Só tê-las não adianta.
Só podemos afirmar que o Capitalismo se sobrepõe ao socialismo marxista e/ou ao comunismo quando muitas desigualdades sociais forem extintas e uma vida digna para todos seja uma realidade.
O socialismo marxista não alcançou a igualdade a não ser a igualdade nivelada por baixo, sem liberdade, sem perspectivas, apenas beneficiando poucos também.
O capitalismo proclama dar melhores condições de vida para um número maior de pessoas, mantém a liberdade e orienta as perspectivas da sociedade. Mas enquanto existirem desigualdades dilacerantes aos olhos e à alma nenhuma forma de Governo poderá querer se dizer melhor. Qualquer vantagem comparativa estará manchada pela dor e pela fome de uma criança, de um homem, de uma mulher, de um idoso(a).
Nada de novo.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Esquerda e Direita um Juízo de Valor

Voltei a comentar em meu blog, depois da ausência por alguns dias.
O que leva cidadãos comuns a apoiar este ou aquele partido, pentencentes à esquerda totalitária ou ao capitalismo selvagem? Atributos como "totalitário" e "selvagem" servem para justificar posições contrárias, e, com razão de ser.
A discussão não está entre esquerda e direita. Mas sim a ética e a integridade de todos como um condição para se justificar a diferenciação entre esquerda e direita. No Brasil, pelo que vemos, não existem diferenças. A direita e a esquerda demonstram ser incapazes de governar para o bem comum da sociedade como um todo.
A esquerda se contorce quando um livro recém lançado diz que um cidadão educado é capaz de ser mais tolerante com as diferenças individuais e menos com os abusos de poder. A direita se coloca como descobridora do caminho para se alcançar a igualdade social e melhores condições de vida para todos.
Não dá para chamar de direita e de esquerda idéias comuns a ambos.
Nunca houve e não há interesse nem da direta e sequer da esquerda governar um povo educado. A esquerda enquanto oposição se valeu do apoio dos intelectuais contra a manipulação das massas pela direita, da parcela da sociedade sem educação, incapaz de não se deixar vendar por um bolsa família (hoje desde FHC) ou por uma cesta básica (ontem).
E, sempre fizerem uso para a manipulação das massas a imprensa parcial, tanto de um lado como do outro, esquerda ou direita, servindo ao Sistema.
Precisamos de uma reforma de valores morais e éticos pela educação. Não basta se dizer de direita ou de esquerda, tem de dizer e mostrar a que veio.
Deixemos de ser oportunistas em defesa ora da direita ora da esquerda. Vamos pensar na evolução da humanidade como um fim onde os meios éticos e a integridade, individuais, a elevem sob alicerces para formação de uma sociedade verdadeiramente mais justa e melhor.
Todo o resto é balela.

sábado, 18 de agosto de 2007

A Educação desde os Tempos do Império até FHC e Lula

Acabei de ler nas páginas da Veja.com que "Brasileiro Educado Crê na Democracia" baseado no estudo relatado no livro A Cabeça do Brasileiro do sociólogo Alberto Carlos Almeida.
Quando afirmo, o que me parece ser, que assim como Lula, FHC pior por ser Doutor e ter sido, portanto, um Presidente Doutor, não deu início a transformação nacional baseada num direcionamento em investimentos na melhoria da Educação ou na implantação de uma política de transformação da sociedade brasileira baseada na Educação.
Na verdade, jamais um Governo no Brasil quis isso.
Quando tentam dizer que a elite, digamos, "elite educada" por ter uma certa escolaridade que a diferencia dos que não têm ou não puderam ter uma escolaridade de melhor qualidade ou sequer uma escolaridade básica, jamais teve uma unidade nacional, mesmo sendo a maioria, sim a classe média é a maioria que sustenta este "país dos Bolsa Família e dos Bolsa BNDES, ou os Sem Bolsa" como disse Reinaldo Azevedo em seu blog na Veja, parece que não está na classe média o poder de realmente mudar isso.
À classe média brasileira e, só a ela, depende a tomada de rumo neste país.
Nem Lula, nem FHC nem qualquer Democrata tem essa disposição.
E, se não têm, terão que ter. Porque só uma unidade nacional que exija essa mudança nos rumos desse país, alcançará este intento.
É hora desta classe média "mostrar seu valor". Deixar de se contentar com empregos e condições que a mantém numa posição intermedária, tendo que a todo dia agradecer por não estar entre os menos favorecidos, mas sustentando com seu trabalho e impostos a todos.
Essa classe média tem que ser diferenciada do que tem se mostrado ser hoje: pensar no Brasil e nos brasileiros igualmente e, acabar com anos complacentes de iniquidades.
Criar condições para que todos os brasileiros consigam então, fazer valer que "Brasileiro Educado Crê na Democracia". Será?
Se é assim, somos a maioria que realmente transformará este país.
Temos que além disso, transformar pensando na sustentabilidade deste modelo (hoje) e em um modelo sustentável (amanhã).

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

A Igreja Católica e o (Falso) Moralismo

Até parece que quero atacar a Igreja Católica, mas é pura coincidência.
É que vemos mais uma vez padres católicos (agora na Itália, vejam só!) serem acusados de pedofilia. Não suspeitos, mas acusados e assumindo essa prática pelos agentes dessa imoralidade e covardia.
"Não se pode usar camisinha...". Não querendo ser sarcástica em situação tão delicada e séria.
O que contesto é a falsa moral de uma Igreja que sempre foi figura anacrônica em todos os tempos. Anacrônica e dissonante com os princípios da verdadeira fé e do instinto humanista.
Que os padres de bem desta Igreja possam juntamente com todos os cidadãos de bem, viver no bem fazendo o bem em prol de todas as sociedades espalhadas por esse mundo de Nosso Deus.