segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

"UM CONTO POR UM CONTO"

Encontrei uma velha amiga de infância, daquelas que parece que a conhecia mesmo antes de nascermos. Foi agora no dia 1º de janeiro de 2011, no final da tarde, após eu ter visto o suficiente da posse da primeira mulher presidente do Brasil. A tarde aqui onde moro estava linda, um dia ensolarado, brilhante e com uma brisa refrescante, apesar de ser janeiro.

Sentamos no granito do jardim de um prédio comercial próximo a minha casa, na sombra, sentindo o frescor da brisa que soprava magicamente como se entrasse no espírito que jurava ter a certeza naquele momento existir. Coisa que costumo fazer ainda, talvez como lembrança de infância onde ainda se sentava nas calçadas com os vizinhos para conversar e se usava a rua para brincar.

Como mulheres comentamos a posse de Dilma. E, apesar de tudo, ao longo da conversa, sem querer expressar o que estava no íntimo, ainda querendo ser elaborado com tranquilidade e clareza, confessamos a dúvida do que representa realmente a liderança das mulheres, num mundo marcado para manter as relações de poder do poder estabelecido.

Revivemos alguns poucos momentos vividos ao longo de nossas vidas, nossa infância, adolescência, o período universitário, o trabalho com suas experiencias e seus reveses para a vida, a família, enfim, onde chegamos, quem fomos em cada fase de nossas vidas e quem somos.

Nossa percepção era que o mundo todo a nossa volta nos parecia irreal. Como era 1º de janeiro de 2011, posse da primeira presidente mulher do Brasil, e, ao assistirmos o cerimonial, principalmente, dois momentos nos chamaram a atenção em especial: (i) as manifestações de apoio e de festa dos deputados e senadores e o (ii) discurso de posse de Dilma. Apesar do belo discurso, das palavras proferidas com emoção sincera, que o momento propiciava, a alegria no plenário demonstrada pelos deputados e senadores da grande base aliada, não condizia com as mensagens do discurso. A cada ovação proferida por eles, em partes do discurso, sobre os assuntos mais sérios, primordiais e importantes aos interesses do povo brasileiro, algo de irreal manchava aquele solene momento.

Os interesses de deputados e senadores, como também, dos que ocuparão cargos políticos no novo governo, não condizem com o discurso de Dilma, apesar da emoção do momento.
Deveremos cortar gastos, mas deputados e senadores aumentaram seus salários a níveis irreais. Onde serão cortados os gastos saberemos logo no início do governo que assume. Aí poderemos sentir a verdadeira dimensão do mundo irreal estabelecido entre o discurso e a boa e verdadeira vontade de ver este país ser um país mais justo para todos. Enquanto isso não acontece, nos resta esperar.

Ficamos um pouco caladas, por um momento, como se buscássemos na brisa que soprava para o espírito, uma centelha de certeza de boa vontade dos que têm o poder nas mãos. Todos, não apenas os que governam, têm o poder nas próprias mãos. Se os que governam não mudam, corrigindo os desvios e, se nossas instituições favorecem o status quo, está nas mãos do povo não mais aceitar que façam o que não é justo hoje e para nosso fututo como nação.

Comentamos que no Brasil entretenimento é cultura. Que artistas aqui são nossos intelectuais. A ponto da Globo no Faustão e seus "intelectuais" homenagearem a Hebe Camargo enaltecendo sua vida artística misturando com a pessoal, como se pudéssemos esquecer que o marido dela, Lélio Ravagnani, era o lobista dos governos de Paulo Maluf em SP, onde todo os contratos de empresas com a prefeitura ou com o estado, passavam antes por seu escritório, para negociar o inegociável com o dinheiro público. O que tem a Hebe a ver com isso? Não só por ser mulher deste Sr., mas por que cansava de fazer campanha abertamente para o Maluf em seus programas de televisão, usando sua imagem artística para influenciar grande número de fãs e pessoas desprevenidas, mostrando as más intenções dessa "celebridade", em benefício próprio e do seu grupo (artístico ou não), sem jamais se preocupar com o bem-estar do povo brasileiro.

E, o Faustão do Perdidos na Noite? Se perdeu em algum lugar, ou como dizem alguns: "nínguém muda".

Nesse mundo irreal, onde tudo é relativo, nos resta a certeza de ser o que somos. Cada um sabe no fundo quem é e o que quer para si e para todos.
"... ergue a mão e encontra hera e vê que ele mesmo era a princesa que dormia." Eros e Psique. Fernando Pessoa.

Ahh... Feliz 2011!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

ELEIÇÃO 2010 (WE CAN'T): O FISIOLOGISMO, O MEDO E A IMPUNIDADE

Estamos a poucos dias das eleições 2010 e pode-se perceber, nas manifestações dos partidos e correlegionários, como sempre, apenas a "necessidade" de manter o fisiologismo fazendo das eleições a luta dos cidadãos em benefício próprio ou de seus grupos, acima dos interesses comuns. Nada muda no Brasil: jamais as pessoas pensarão no bem-estar comum como um direito comum a todos.

Assim, tráfico de influências e corrupção ativa e passiva são instrumentos que fazem uso o funcionalismo público e toda a sociedade, já acostumados que somos com tais práticas no nosso dia-a-dia. E, assim, vamos nos aproximando de mais uma eleição: do mesmo jeito brasileiro de ser. Nos mantemos aprisionados ao fisiologismo como atores ou espectadores, temerosos de denunciar, porque as instituições não protegem os que querem ver realmente este país um país honesto e mais justo. As tais ouvidorias nada apuram nem nada resolvem, tal qual um call center inútil nas garantias dos direitos dos consumidores.

Práticas locais e regionais, onde deparamos pessoalmente com os serviços públicos, diferentemente para o cidadão comum ao que acontece em Brasília, ficamos amedontrados, mesmo todos sabendo que para se conseguir uma licença qualquer, um alvará qualquer temos que participar do tráfico de influências e da corrupção tão inerentemente cravadas na nação brasileira. O servidor público pago com nossos impostos e "taxas" para nos servirem ainda dificultam e impedem, através do desconhecimento da população das leis que regem o direito comum dos cidadãos, que esses serviços sejam fornecidos através de orientações simples que deveriam ser fornecidas com transparência e de forma clara. Estes servidores públicos, e, o próprio serviço público no Brasil, como todos sabemos, negam ou não fornecem informações dificultando o processo, aumentando o custo Brasil e facilitando o fisiologismo.

Se não nos sujeitamos e aceitamos as práticas e regras deste fisiologismo tudo pode ficar pior para quem necessita desses serviços e não haverá ninguém nem qualquer instituição que proteja a sociedade já tão acostumada que é também de se beneficiar conforme essas práticas. Essa é a regra. Todos, sem excessão, conhecem essas práticas, não se faz um país melhor e mais justo porque nós brasileiros não queremos e não sabemos como fazê-lo de outro jeito.
Já não se sabe viver de outro jeito no Brasil. O medo da impunidade nos faz uma nação de fracos tamanha a estrutura formada para manter o fisiologismo e a corrupção intactos. Levar vantagens sem considerar o bem-estar comum é a nossa maneira de viver tão "brasileiramente".

sábado, 11 de setembro de 2010

UM RECADO ESPECÍFICO A ALGUÉM ESPECIFICAMENTE SOBRE: A CAMISA, A ÉTICA E A LIBERDADE

Hoje gostaria de falar sobre um assunto que sempre me soou no mínimo incômodo. Algumas pessoas costumam falar em alto e bom som, mesmo até para quem não quer ou não precisa ouvir, "que vestem a camisa da empresa". Confesso que até consigo entender essa necessidade de dizer isso, mas apenas em parte.

Vejamos se é possível entender o porquê que isso me incomoda. Penso que ser um bom profissional significa antes ser fiel a seus princípios éticos, e, isto pressupõe, agir corretamente com todos: colegas, clientes, fornecedores, empresa, comunidade, sociedade, acionistas, chefias, etc.. No entanto, não se pode servir a Deus e ao diabo ao mesmo tempo, por isso, devemos ser fiéis aos nosso princípios morais e éticos. Não somos perfeitos nem como profissionais nem tão pouco quanto pessoas. Mas chegamos a um ponto que devemos vestir "a camisa da empresa" colaborando e contribuindo com nossos conhecimentos e princípios para que todos na empresa desenvolvam um trabalho que leve a todos a alcançar o desenvolvimento sustentável através da Responsabilidade Socioambiental, que a empresa como instrumento fomentador de trabalho e riqueza, deve incorporar em suas atividades e relações internas e externas, i.e., com toda a cadeia de valor.

Ficar conclamando ou alardeando "vestir a camisa da empresa" é mera retórica de quem não sabe o que diz, e, talvez de quem nem a empresa possa confiar, porque servirá apenas aos interesse escusos que existam e que lhe proporcione também certas vantagens também escusas. Não cabem às empresas e corporações, hoje, apenas gerar emprego e lucro. Mas isso não é assimilado ainda por grande número de empresas, e, o quando o é, muitas existentes só na necessidade de se dizer, e não ser, sócio e ambientalmente correta.

Quando se analisa uma empresa em que um dia tivemos "o privilégio" de trabalharmos, - privilégio pelo fato da possibilidade de saber que elas ainda existem -, muitas vezes vemos princípios e normas de administração básica não sendo utilizados. A empresa sendo aparentemente financeiramente saudável com lucros, certos investimentos e quase 20 anos de existência, sendo uma empresa gerada e administrada por pessoas sem conhecimentos administrativos básicos. O que poderíamos dizer que o "empreendedorismo é inato" a algumas poucas pessoas privilegiadas. Basta fazermos uma rápida analogia com o Brasil como Estado governado por Lula.

Assim sendo, percebe-se que a empresa não tem planejamento nem de curto nem de médio muito menos de longo prazo, sequer planejamentos operacionais, no dia-a-dia, sem considerar o estratégico (o que seria pedir muito). Mas como uma empresa se mantém assim no mercado, mesmo que tenha qualidade (que não é um diferencial)? Um dia perguntei a um empresário que me disse que as margens de lucro devem ser grandes. Fiquei pensando na maravilha da proeza deste empreendedorismo que além de não planejar possui margens de lucros altas. Tive de tirar o chapéu para estes "empreendedores".

Passado algum tempo, pouco tempo, possivelmente já não se estando mais nesta empresa por decisão deles, por deverem talvez achar que "não se vestisse a camisa", percebe-se que a pessoa que mais alardeava "vestir a camisa da empresa", contra seus princípios pelo menos éticos de que sua profissão específica muito exige, percebe-se que talvez a grande margem de lucro que mantinha a saúde financeira da empresa viesse do caixa 2 com a sonegação de impostos. Tá aí um exemplo de sucesso do empreendedorismo à brasileira nas pequenas e médias empresas. Onde a geração de riqueza se concentra na mão de poucos, apesar de gerar empregos mal remunerados e sem participação nos lucros, mesmo sendo um salário compatível regionalmente.

Não podemos esquecer que essas empresas comandadas por estes "empreendedores" se servem de "espiões e guardiães" dos interesses da empresa que levam informações muitas vezes prejudiciais ao próprio negócio, e muitas vezes falsas, mas é o que merecem esses "empreendedores/empresários". Só que quando o negócio não mais se sustentar, i.e., a pessoa jurídica falir as pessoas físicas continuarão muito bem, obrigada. Como um dia escutei: "o CNPJ vai mal, mas o CPF vai muito bem", para designar como agem os muitos que enriquecem neste país.
A não ser é claro que a Receita Federal cumpra seu papel e retire destes "empreendedores" todo seu enriquecimento ilícito.

sábado, 28 de agosto de 2010

O MUNDO COMO ILUSÃO (2)

Qualquer um pode ser presidente de um país ou CEO de uma organização. Veja bem: qualquer um. Se qualquer um pode ser qualquer coisa, por que alguns são os escolhidos? Pode-se transformar qualquer pessoa em qualquer pessoa "de respeito". Por outro lado, pode-se excluir pessoas de qualquer lugar.

Justiça não é igual para todos. Basta ter dinheiro para pagar "bons" advogados e pronto, o sujeito está livre de qualquer imbróglio. Como assim? O que sabem os "bons" advogados que os outros não saibam fazer? Suspeito que "bons" advogados são os que são de confiança do poder judiciário, os que conhecem o caminho das minas, para derramar dinheiro durante anos para que o crime prescreva.

Tudo e todos têm seu preço diz a sabedoria popular. E, dessa forma, os "bons" advogados valem muito, a saber, quantos terá de subornar e quanto terá de pagar durante anos. É por isso que os que têm dinheiro, geralmente alcançados de forma ilícita, têm "bons" advogados. Ora que mundo cínico este em que vivemos.

É a parte intermediária da pirâmide, nem o topo nem a base, tentando sobreviver, para "se dar bem", da única forma possível que conhecem e são capazes neste mundo.

Apenas o que não são iliusão são a hipocrisia e o cinismo reinante neste mundo. É tão visível esta hipocrisia e este cinismo que uma vez ou outra se pune alguém. Nenhum coitado, é claro, mas alguém tem de pagar pelo bem de todos os incapazes de se dar bem, se não pensando sempre apenas em se dar bem. É este o mundo que temos.

E, não pensem que um dia eles vão se dar mal, nem depois de todo o mal que fizeram. Maldita fé em Deus, em ter dignidade e ser correto. Só se ferra quem pensa assim. Quero ver o mal que me fazem ser pago aqui e agora. Não quero passar a vida me dando mal por pensar que o bem está acima de tudo e, que "um dia", o dia deles vai chegar. Todos sofremos igualmente neste mundo fazendo o mal ou não. Pelo menos eles que fazem o mal gozam do conforto que toda sua vida de atos incorretos para se dar bem os fizeram alcançar.

Ficamos nós aqui esperando um dia eles se darem mal. Ferrados como estamos (por eles), esperamos o dia, que talvez nunca cheguemos ver chegar. Ou Deus muda isto ou ELE que não venha deixar que nos enganem desta forma. Não temos nada a perder. Quem tem são os do meio da pirâmide e do topo. Nós aqui da base sequer devíamos estar aqui. Por que não nos exterminam de uma vez? Pensar que estão excluindo (ferrando) os que incomodam pode ser muito perigoso: nós pensamos, nós sabemos, só ainda não fazemos.

E, quando nos dermos conta de que somos em grande número também, aí pode ser que comece haver equilíbrio entre o bem e o mal neste mundo, a ponto de um dia todos saberem que talvez possa valer a pena ter dignidade e ser temente a Deus. Por enquanto, somos os otários que todos querem ver pelas costas e longe. Se possível bem na pior, enquanto nós esperamos que um dia eles paguem por tudo de ruim que nos fizeram.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O MUNDO COMO ILUSÃO

Como uma cidadã comum tentando viver neste mundo é impossível não perceber que muitas coisas não estão corretas. A começar pelas pessoas e o modo de vida que levam tentando, para sobreviver neste mundo, "se dar bem a qualquer custo". Nada mais importa ou sequer se preocupam ainda fazer crer que podem importar como a dignidade individual. Ou se entra nessa ciranda de se dar bem a qualquer custo ou se está fora. Ou se entra em qualquer jogo sujo ou se está fora. Literalmente as pessoas que querem apenas fazer o que deve ser feito não fazem parte desta ciranda vergonhosa da luta em favor do bem estar próprio, onde alianças e juras de ajudas mútuas só valem enquanto houver benefícios mútuos ilícitos.

Não há para onde correr, estão todos envolvidos. Todos sabem, inclusive os que deveriam proteger a lei, os que são corruptos ativos e passivos. É muito mais fácil deixar como está porque "está bom para todos assim". Delatar o funcionário público que se beneficia do "poder" que ele jamais teve, mesmo que seja do conhecimento de todos, inclusive do MP e do judiciário, e, mesmo assim "pagar" para, por outros meios do que os não os lícitos, se conseguir algo algumas vezes lícito e muitas vezes ilícitos, isto é "o melhor para todos".

Os que "atrapalham" por quererem apenas fazer o que tem que ser feito são excluídos e não conseguem sequer ter paz por incomodarem sem nem saber por que. Mesmo fingindo que nada veem, para que os deixem fazer apenas o mínimo que precisa ser feito, para o bem comum e mesmo para as pessoas que se sentem ameaçadas, mesmo assim, eles não servem, têm logo de serem eliminados do processo.

Essa é a ilusão do mundo em que vivemos. Vivemos num mundo de mentiras convenientes e ameaças verdadeiras.

Falemos um pouco de política em ano eleitoral no Brasil. Falemos do Bric, e, como exemplo o Brasil e a China, fortes economias que sustentam o mundo econômico por alçarem da pobreza milhões de excluídos para consumir os produtos e serviços dos países e organizações, para manter a roda girando e a riqueza se concentrando como sempre nas mãos de poucos. É errado alçar da pobreza milhões de excluídos? dirão os hipócritas que habitam em grande número este mundo. Voltemos ao Bric: quando vemos com nossos próprios olhos que esse crescimento econômico é mais uma mentira, uma ilusão criada para justificar os "benefícios" que estão sendo dados ou permitidos a esta parcela, mas que no entanto, continuamos sem hospitais, sem educação, sem a infra-estrutura necessária se comparados aos países desenvolvidos que hoje agonizam com sua frágeis economias e, que apenas se sustentam por estes consumidores dos países subdesenvolvidos do Bric (ou como queiram países "em desenvolvimento").

A realidade é outra. Fazemos todos parte dessa ilusão que é este mundo. Querendo ou não, concordando ou não. E, assim, vamos vivendo esta ilusão. A concentração de renda no topo da pirâmide nas mãos de poucos, no meio da pirâmide os que querem se dar bem a qualquer custo e para isso só com atos e atitudes ilícitos, e na base da pirâmide os excluídos econômica, socialmente e os que ainda têm algum ideal e não creem nesta ilusão.
Este mundo é uma via de uma mão só e com nossas ilusões a nos acompanhar.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

CODIGO "PILOTO" AMBIENTAL CATARINENSE

As possíveis articulações políticas assustam muito. O Código "Piloto" Ambiental Catarinense parece que quer medir o tamanho das forças contrárias com a alteração unilateral, não participativa, da Legislação Ambiental Brasileira, no piloto Catarinense. LHS, governador da nossa Santa (& Bela) Catarina, do PMDB, é um típico representante das forças políticas atuantes contrárias ao Desenvolvimento Socioambiental. Um representante político dos políticos desse Brasil que teima em permanecer com ideias contrárias ao Desenvolvimento Sustentável como se a sociedade brasileira e as instituições de uma sociedade civil organizada pudessem ser ludibriadas facilmente.

O Código "Piloto" Ambiental Catarinense parece servir de termômetro para as alterações que se pretende fazer no país na Legislação Ambiental Brasileira. Está em julgamento no STF. É incontestavelmente, inconstitucional, pelo simples fato de ser a Legislação Ambiental Brasileira de caráter jurídico complementar, i.e., as Legislações Estaduais e Municipais podem ser iguais ou mais restritivas que a Federal.

Agora, esta manobra política deve ser denunciada. LHS deve ter no seu currículo ser o representante legítimo ou ser o próprio mentor desta manobra inconstitucional contrária aos interesses da sociedade brasileira e aos compromissos pelo Brasil assumidos. Logo agora que o Brasil do Lula assume compromissos de redução dos GEEs (Gases do Efeito Estufa) em dezembro na Conferência Climática em Copenhagen - 2009. E, o partido de maior apoio na base do governo, o velho PMDB, "surpreendentemente" defende a alteração da Legislação Ambiental Federal como se fosse possível manter um discurso pró desenvolvimento sustentável e nos bastidores tentar mudar os avanços conseguidos nas questões socioambientais no Brasil.

Não é possível continuar com políticos em cargos públicos sem competência técnica de administração pública sem profundo conhecimento em Desenvolvimento Socioambiental. Não é possível que o setor privado não mantenha em seus cargos de gestão profissionais capacitados para entender esta concepção socioambiental, onde o respeito com a preservação ambiental e justiça social devem ser o alicerce das sociedades do Século XXI.

Comecemos em nível local, nos Municípios. Não dá para aceitar Secretários, Diretores e assim também nos níveis complementares do organograma da gestão pública municipal, cargos políticos, sem a mínima competência e formação profissional necessários ao desempenho de suas funções.

O pequeno agricultor, usado aqui no Código "Piloto" Catarinense, necessitam de apoio e fomento para produzir e querem preservar o meio ambiente. Faltam políticas públicas de apoio ao pequeno agricultor que integre a produção agrícola com a preservação ambiental e que promova justiça social. Nosso Código "Piloto" Ambiental Catarinense usou a fragilidade das políticas públicas de incentivo ao pequeno agricultor para servir de "cabo-de-guerra" com a sociedade civil organizada para fins que interessam particularmente aos médios e grandes agricultores.

Cabe ao STF proteger a Legislação Ambiental Brasileira do golpe contra a sociedade e as instituições brasileiras que estão tentando levar a cabo no Congresso Nacional com apoio de governadores, prefeitos, secretários, diretores, etc., que sempre levam seus interesses pessoais e de seus grupos acima do bem-estar da coletividade. Um verdadeiro golpe contra os interesses da nação brasileira. Mais um.

"Deus salve a América do Sul e a América Latina" destes governantes do Século passado.

Equilíbrio Mecanicista e a Realidade Sistêmica

Ainda se discute que o sistema capitalista/neoliberal, como já demonstrava Adam Smith, não determina o desequilíbrio, - que "se quer" fazer crer -, onde para que poucos ganhem muitos têm que perder. A insistência dos defensores desse equilíbrio, digamos, mecanicista do sistema capitalista/neoliberal é tão frágil e insustentavelmente legítimo que nos faz entender um pouco melhor o que dizem as agendas ocultas dos que tentam convencer a grande maioria que esse equilíbrio mecanicista é real.

Como todos temos nossas agendas ocultas - que nada mais são do que o conjunto de nossas convicções, nossos interesses, traumas e ressentimentos que geralmente não nos deixam confortáveis quando nos expõem - também tenho a minha. Nas "linhas e entrelinhas" do que escrevemos ou falamos lá estão tudo o que somos.

Vejam os bancos e seus imensos lucros no Brasil, para nos atermos ao nosso mundo mais especificamente, que é um exemplo mundial de sucesso desses lucros. A grande maioria entra na ciranda financeira do crédito fácil, sem uma aparente eficiente análise de risco pela instituição, porque quando se deixa de pagar já se ganhou muito do outro lado, e, o risco minimiza a tal ponto que o valor que falta pagar (sempre muito alto invibializando a intenção de sanar as dívidas, contraindo-se empréstimos para pagar empréstimos) ou não é pago ou qualquer valor (às vêzes até um quinto do que se devia é negociável). Pode parecer bom, mas empobrece a população e não deixa que as pessoas progridam já que têm que dar lucros aos bancos e ao sistema financeiro como um todo. Todo dinheiro que entra na conta do cliente é para pagar o que deve aos bancos, não existem consultores de investimentos a grande maioria dos clientes, os gerentes de contas são os consultores para fornecer crédito "fácil" sem autonomia nem responsabilidades (o sistema de informação de avaliação de risco geralmente viabiliza os empréstimos, avaliando-os como de médio e baixo risco, enquanto o cidadão/cliente ainda tem o que "oferecer" ao banco (o que geralmente é o seu provento enquanto supostamente tem capacidade de pagamento). E, o cliente acaba acreditando que se o banco acredita que ele possa sanar a dívida com a instituição, deve ser porque seu risco é baixo e conseguiremos sair dessa. Mentira, a grande maioria é vergonhosamente enganada ficando cada vez mais pobre enquanto poucos lucram muito. Esse é um exemplo do equilíbrio mecanicista.

É como já se disse: a grande maioria que sustenta a riqueza deste país não tem bolsa família nem bolsa BNDS. A classe média, enquanto ascendem a ela cada vez mais um maior número de cidadãos, mais riquezas serão geradas. A distribuição dessa riqueza é que é sempre desigual ocasionando a realidade sistêmica do desequilíbrio social e econômico, entre classes sociais, regiões, países e continentes.

Outro exemplo é a realidade sistêmica da sociedade 20/80 ou 10/90. Onde apenas 20 ou 10% da população mundial terão trabalho e, portanto, proverão todos os bens e serviços necessários para suprir a estes mesmos 20 ou 10%. O restante 80 ou 90% ficarão às margens, sem emprego e sem participar de uma grande fatia dessa riqueza que deveria lhe caber no banquete.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

JUÍZO DE VALOR (3)

Caso Dorothy Stang.

Não há muito mais o que falar. Já não há mais esperanças para o Brasil.

Resumindo: condenaram o jagunço contratado e absolveram o fazendeiro mandante.

Sinceramente tenho vergonha de ser brasileira, onde nem as leis que deveriam fazer justiça, nem juristas, nem a sociedade que o absolve merecem respeito. É cada um por si e Deus por todos, aqui no Brasil.

Falando em Deus, já que a justiça dos homens, aqui neste país tropical, onde "não existe pecado", mas onde permanece, queiramos ou não, o que Ele nos ensinou que quanto mais conhecimento tivermos maior será a nossa culpa, pergunto:

De quem é a culpa maior? Do jagunço contratado ou do fazendeiro mandante? Só por Deus!!! Meu Deus!!!

terça-feira, 6 de maio de 2008

JUÍZO DE VALOR (2)

Lamentável mas ocorreu e mais lamentável ainda é ter que ouvir e fazer uma análise sobre o caso Ronaldo.

Sinto-me levada, pela minha impaciência, a fazê-la. Vejam só, analisemos o caso Ronaldo tentando fazer uma análise, se não concreta, mas sistêmica. Respondamos, então:

1. O que fazia o Ronaldo num motel, para suas condições, de quinta?

2. Alguém teria alguma dúvida que aquelas beldades eram transsexuais e não mulheres?

3. Armarram contra ele? Ele foi obrigado a levá-los ao motel ou os levou por vontade própria?

4. O que motiva uma "celebridade" do futebol como o Ronaldo a querer fazer um programa com três transsexuais num motel de quinta?

5. Por que a preocupação e os cuidados dele com sua imagem? Será pelos fãs ou pelo que os fãs o levam a ganhar quando disponibiliza sua imagem em patrocínios milionários?

6. Uma fortuna de 200 milhões de dólares já não é suficiente para parar com o futebol e para parar de se preocupar com sua imagem de bom moço e educado?

7. Deixará de ser ídolo pela arte que mostrou com seu futebol com aquelas arrancadas explosivas que deixavam para trás não só um mas vários adversários de uma só vez? A exemplo de Maradona e sua genialidade nos dibles?

Ronaldo saiu da periferia do Brasil e alcançou o mundo. Seu talento no futebol é inegável para a história do futebol mundial. Saiu da periferia e "sentou-se a mesa" de outros famosos, uns como ele da periferia, outros de berço, outros chegaram lá por outros caminhos nem mais nem menos nobres.

Faltou-lhe a caminhada pelo futebol com estudos e uma boa educação escolar, que suas condições financeiras lhe facilitariam alcançar. Isso não é garantia de boa índole e de bom caráter, nem de perto, mas lhe ajudaria muito. Que sirva de exemplo para os que o seguirão e para os que costumam incentivar e bajular fenômenos do esporte como ele. Estão todos aí, a maioria pelo menos, tentando livrar a consciência, fazendo de conta que ele está mesmo sendo vítima de uma armação de "alguns transsexuais sem credibilidade".

sexta-feira, 25 de abril de 2008

JUÍZO DE VALOR

É realmente muito difícil fazer uma simples reflexão acêrca do caso Isabella. Não só porque não me sinto capaz nem no direito de emitir qualquer juízo de valor. E, por isso, a direção em que levo meu olhar para este caso, e, é apenas uma direção, é a que evita realizar juízo de valor sobre o ato e as pessoas, propriamente ditos. Isso porque, cito como exemplo, até hoje não sabemos o motivo que levou os assassinos a matar Daniela Perez, uma ato tão brutal e sem explicações racionais e humanas, quanto o deferido sobre Isabella.

Isabela foi assassinada com grande violência.

Assisti a uma entrevista numa emissora, logo no início, e, lamentavelmente não o vi mais na TV, com um psiquiatra forense com anos de experiência. Ele disse à reporter mais ou menos assim (desculpem colocar entre aspas o que afirmo der sido dito "mais ou menos assim"): "Quem cometeu este ato, e aí não estamos falando deste ou daquele, mas de maneira geral, da forma como essa psicopatia é manifestada pelos que dela sofrem:
1. Não são atos premeditados, mas acometidos de impulso incontrolável.
2. São sempre atos violentos e brutais.
3. E, te digo ainda o mais importante: esses indivíduos não têm remorsos e a única dor que sentem é o mal que a eles próprios poderá advir."


Observando, como leiga, a atitude dos indiciados, da defesa e da família dos indiciados, me pergunto: é fácil assim e, justo, negar os indícios e as evidências? (Considerando que elas existam?). Não sabia ser assim tão fácil. Se assim for ninguém poderá ser julgado e acusado.

Tira-nos (ou tenta), até aos leigos, a capacidade de entender os "caminhos" jurídicos. Se sustentará diante dos indícios e das evidências (considerando que elas sejam levantadas pela polícia) a negação pura e simples de tudo que foi levantado? Falo da negação sobre as evidências do sangue de Isabella no carro, na fralda, no hall, no corredor, na sala, na cama, por exemplo. "Desconheço" é a afirmativa dos indiciados, e, que é a negação da racionalidade.

Teremos muitas dificuldades de acusar culpados de crimes hediondos. Basta negar tudo e manter como "coerência": a negação.

Lembro de um dia, há muitos anos, em que achei engraçado quando um amigo me disse sobre a infidelidade: "Negue sempre não importando as evidências".

Não estamos tratando de um caso de infidelidade (onde podemos até achar graça) mas de um crime hediondo cometido contra uma criança. Será tão simples assim? Os advogados se cercam de argumentos tão frágeis e cínicos? E, precisamos deles mesmo assim para sustentar a negativa contra todas os indícios e evidências (existindo)? Precisaremos de julgamento se há, para os indiciados, a possibilidade de nem irem a julgamento, e, se forem, não se conseguir provar a culpa? Poupariam a todos, nós brasileiros, cidadãos do país da impunidade, onde a lei não é a mesma para todos.

Todos temos direito a defesa. Isso é uma coisa. Impunidade é outra.

Não precisaremos mais ir a julgamento pelos nossos crimes. Basta negá-los? E, a dúvida: ainda assim precisaremos de advogados de defesa para apenas negar todas os indícios e todas as evidências levantados e apresentados contra nós, em nossos depoimentos à polícia? Bom saber?

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

O BRASIL É O MEU PAÍS?

Estive pensando sobre as coisas do Brasil. E, quero colocar em meu blog o que estive pensando, e, espero não ver bater em minha porta a PF querendo me interrogar só porque quero falar sobre um assunto para minha reflexão. E, quem sabe, mais algumas pessoas também o possam.

De repente percebo que este governo central do Brasil, distante da maioria lá no planalto central já não é mais o Poder que deveria governar para o povo. O Poder Legislativo, com deputados e senadores, representam apenas seus próprios interesses e de um poder econômico, exatamente como faz o Poder Executivo. E, o Poder Judiciário que deveria garantir os direitos do povo e das instituições, também não assume seu verdadeiro "trabalho" que é o de garantir que a ordem seja mantida. Nada de novo. Como nada de novo mostrou o relatório da PF sobre a corrupção no Brasil, diga-se nos órgãos públicos e empresas estatais.

Estive pensando (maldita condição, por que pensar? por que não deixar tudo como está, sem reflexões inúteis que tiram nosso sono e a nossa paz?) que para acabar com a festa do governo central, num país de dimensões continentais (como costumamos dizer), proponho; proponho que os Estados individualmente se tornem países de si mesmo. Seria melhor para todos, não se enganem os estados considerados mais pobres, porque nem para eles este governo central governa, apesar de utilizar esta retórica.

Imaginem meu estado, Santa Catarina, sendo um país? Não somos auto-suficientes em tudo, longe disso. Precisaríamos manter com os outros países, do ex-Brasil, uma relação comercial livre, como a UE (comunidade européia). Imaginem cada estado que faz parte do Brasil, ser um país, que faz parte da UB (comunidade brasileira), apesar de engraçada esta relação feita entre UE e UB, isso é um assunto sério.

Cada país da UB estaria bem próximo do Governo Central. Cada município teria mais força. Cada sociedade dos países deste novo bloco teria condições de participar das decisões e ver o retorno de seus impostos em educação, saúde, infraestrutura, saneamento básico, investimentos... Tudo que nos falta neste país da festa do Governo Central e dos Poderes que o compõe.

Dirão os que não querem perder os privilégios: isso só pode ter vindo do sul (o que não é uma idéia nova aqui). A diferença é que todos os estados, então países, seriam beneficiados, os do sul, do norte, nordeste, centro-oeste, sudeste. A nenhum estado brasileiro está beneficiando, nem jamais beneficiou com qualidade necessária e urgente, este Governo Central do Brasil com os seus Poderes.

Nem o modelo americano daria certo aqui, como os Estados Unidos (este modelo de Governo Central americano pode ser um pouco melhor, mas fazem guerra em outros países gastando o dinheiro público sem uma discussão séria e clara sobre os motivos, deixam estados mais pobres cada vez mais pobres também). Chega. Para mim o melhor seria o modelo europeu.

Existem problemas e dificuldades lá também? Existem. Ninguém escapa da "Armadilha da Globalização". Mas é muito mais fácil governar um país menor, não só pelo tamanho geográfico mas populacional. A começar pela distribuição de renda que é muito mais justa, não existindo uma gritante diferença ("gap") entre salários nos diversos níveis. Lá existe um "socialismo (diria natural?)" no capitalismo nem tão selvagem. Lá existe um capitalismo humanista, e, lá lutam para mantê-lo, por perceber que é o melhor para o todo, que é a forma mais justa de se viver a vida. É o velho mundo dando lições de igualdade com sua experiência e erros cometidos durante toda sua existência.

É isso, quero Santa Catarina como meu país. Aquele orgulho de ser brasileira é só uma forma romântica de manter o que poucos não querem que seja mudado. Proponho a UB (Comunidade Brasileira) como a forma mais justa de manter o orgulho de um dia ser brasileira. Assim como está, assim como é, e, assim como sempre foi, só dá lugar a vergonha.

É, por assim dizer, a única forma de acabar com a "festa" com o dinheiro público (que até parece que não é de ninguém, se não fosse por direito do povo). Não dá mais para suportar essas mesmas caras no executivo, legislativo e judiciário, fazendo pouco caso da sociedade. Nossas instituições a nível Brasil não conseguem se impor. Só estados verdadeiramente independentes, formando países e um bloco, sem a figura tradicional do Governo Central lá no planalto central, podem mudar definitivamente esta desavergonhada gastança do dinheiro público sem prestar contas à sociedade.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

IMPRESSÕES, ESTUDOS CIENTÍFICOS E MÉRITO (AO DIOGO MAINARDI)

Estamos em 2008, o que mudou no Brasil? Em dezembro de 2007 o presidente Lula em rede nacional disse que não haveria compensações fiscais para a perda da CPMF. Em janeiro de 2008, Guido Mantega anuncia as compensações dizendo que foi dito pelo Governo que não haveriam tais compensações apenas em 2007 (isto em menos de um mês).

Mas o que isso demonstra é que o Brasil não mudou e não vai mudar tão cedo, se alguma ebulição na sociedade não ocorrer. O mundo capitalista globalizado caminha com previsões otimistas, mas sempre marcadas por "senões": "se a inflação voltar...", "se os EUA ...", "se a China...".

Minhas impressões custam crer nessa euforia sem certezas a médio e a longo prazos. As estatísticas podem ser tão subjetivas quanto as impressões dependendo dos dados e informações utilizados ou a falta de alguns desses, proposital; assim como, o mérito é relativo de acordo com o que se julga como eficiente.

Na sociedade atual, capitalista globalizada, (não a comparo com a comunista marxista que mostrou ser um erro também), costuma-se engrandecer o mérito, o grande dogma da atualidade, a grande ordem social.

Tudo pode ser manipulado: impressões, estudos científicos e o mérito. Não se iludam.
O mérito hoje é "bem" recompensado pelo retorno financeiro de curto prazo "supostamento" dado, com premiação participativa das altas esferas do poder do mundo corporativo. É a velha distribuição de renda.

As consequências sociais e o futuro das sociedades não são percebidas por esta, digamos, "meritocracia social". O que importa é o lucro rápido e, grande, alimentado pelo cada um por si.

Cito Diogo Mainardi no título da mensagem para lhe dizer que este estado de coisas não são apenas vícios e ignorância da esquerda. Este estado de coisas tem a ver com o poder econômico e o se manter no poder para garantia do bem-estar de poucos. Seja utilizando ora a esquerda ora a direita ao bel-prazer do poder econômico.

A farsa montada em torno da votação da CPMF, onde o Senado (de Renan Calheiros) disse não à CPMF numa mal disfarçada manipulação onde se quis fazer crer que o Governo finalmente encontrou resistência da oposição no Congresso dos Mensaleiros.

Não há mais o que fazer nem dizer. Como gostaria de estar errada em minhas impressões e ter esperança de um mundo verdadeiramente melhor para todos. Romantismo? Por que não, se assim querem chamar? Se parte do mundo e das pessoas tem algumas impressões próximas as que coloquei aqui é porque pior do que está com certeza vai ficar.

Parece-me um mundo-de-faz-de-conta onde tudo é possível.

Para coisas como "o que estamos fazendo aqui" e "o que somos" não existem respostas. Mas dirão céticos e crédulos: "só porque não sabemos não quer dizer que não há respostas". Também concordo.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Reinaldo Azevedo na Veja e a "Cultura da Periferia"

Desde que li este artigo senti muita vontade de comentá-lo. Minhas atribuições não me permitiram fazê-lo quando eu queria, e, essa vontade ficou latente esperando eu poder sentar e escrever.

Esse artigo me fez lembrar um livro em que a universidade de minha cidade, UNIVALI (mesmo que eu já não frequentasse os bancos escolares de curso superior) o incluiu "como um livro a ser lido" naquele ano (acho que 1995-1996), disse-me meu irmão. Comprei o livro e o li.

O livro foi escrito pelos únicos representantes credenciados da imprensa no Fórum Mundial sobre Globalização, que reuniu no Vale do Silício (se não me engano) chefes de Estados das grandes potências, representantes de grandes conglomerados da indústria, da imprensa, das finanças, etc. estou escrevendo o que me recordo, não tive tempo de pesquisar sobre este livro que hã muito li e que jamais saiu de minhas reflexões e às vêzes que cabe eu o cito. Mas o que me deixou perplexa é que os "grandes" e verdadeiros representantes do poder econômico e político ali reunidos se reuniram para tratar principalmente sobre a sociedade que eles chamaram de "Sociedade 20/80", ou seja, só 20% da população mundial produziriam todos os bens e riquezas, teriam trabalho e consumiriam estes bens e riquezas. O restante da população, 80%, não teriam trabalho e viveriam às margens (diga-se, na periferia). E, a discussão ficou em torno do que fazer para "entreter" esta imensa parcela da população para que não se perdesse o controle dessa massa de excluídos.

Surgiu mais forte o terceiro setor com as ONGs e seu trabalho comunitário nas periferias de todo o mundo, financiado pelo dinheiro dos poderes econômico e político mundiais. Criando a "cultura da periferia" como denominou o Reinaldo Azevedo na Veja. Mantendo à margem, nas periferias deste mundo, uma imensa parcela da população mundial sem oportunidades de sair dali e vir para o "centro". Talvez alguns saiam das perifrias para fazer parte desses 20% se situando no limiar entre os 20% e os 80%. Às vêzes me pergunto se também a classe média que deve fazer parte desses 20% da população não tem um "certo conforto" (se comparado aos de piores condições sociais das periferias) como forma de entreter esta parcela da população mais esclarecida, mas que não terá também condições de sair deste limiar entre os 20% e os 80%.

Na primeira fase do Programa da Regina Casé sobre periferia, me chamou atenção a enorme estrutura de palco e som, em Belém com artistas das periferias e com uma multidão de gente da periferia assistindo, dançando e cantando. Quem financia estes eventos? Quem financia estes grupos de artistas da periferia que até gravam sem selo seus CDs e DVDs. Pensei, voltando ao livro, que ali estava caracterizado o "entreter" , centro das preocupações no Vale do Silício.

Agora com o programa da Regina Casé pelas periferias deste mundo podemos perceber que grande parte da população mundial já vivem às margens da sociedade do "centro". Não sei qual a agenda oculta da Regina Casé, mas seu programa mostra que manter às margens, nas periferias, uma grande parte da população faz com que nasça uma cultura própria, com formas inerentes às suas consequentes leis e a seu status quo.

Não sei se há interesse em "salvar" essa gente da periferia (se isso for possível com o capitalismo ou com o socialismo, tanto faz, o que importa mesmo é o poder econômico e o poder político a serviço deste) ou se é medo de conhecer o que é mostrado o que se está criado nas periferias deste mundo.

Mudando um pouco de assunto, também quis falar sobre a absolvição do Renan Calheiros (esta a mais recente absolvição corporativista do Congresso Nacional. Vou ser suscinta: onde é o lugar de ladrões? Por que ser ladrão do dinheiro público e enriquecer com o uso ilícito e indevido dele não leva estes ladrões pra cadeia aqui no Brasil? Onde estão as Instituições do Brasil tão proclamadas livres que não são capazes de transformar essa sociedade numa sociedade mais igualitária e decente? Onde está o Poder Judiciário (não mais a serviço do poder econômico)?

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

O GOVERNO LULA E SUA VISÃO SOBRE A CLASSE MÉDIA BRASILEIRA

Estou há três dias tentando entender a tentativa do Governo Lula em identificar a classe média brasileira como preconceituosa; "todo mundo é muita gente", e, em se tratando de classe média no Brasil é muita gente. Na verdade, gostaria que o Governo Lula definisse o que ele considera como a classe média brasileira.
Voltarei à análise da PEA (População Economicamente Ativa), Urbana e Rural, com base no Censo 2005 (último censo):

PEA 2005: 96.000.000 (entre empregados com carteira assinada, empregados sem carteira assinada, militares e estatutários, trabalhadores domésticos, conta própria e empregadores).

Rendimento médio mensal total: R$ 840,50 (entre empregados com carteira assinada, empregados sem carteira assinada, militares e estatutários, trabalhadores domésticos, conta própria e empregadores).

Distribuição dos 40% mais pobres, da população ocupada (A):
Total (A): 30 430 000
Rendimento médio mensal de todos os trabalhos (A): R$ 226,32
Sálarios mínimos: 0,75

Distribuição dos 10% mais ricos, da população ocupada (B):
Total (B): 7 610 000
Rendimento médio mensal de todos os trabalhos (B): R$ 3.579,82
Sálarios mínimos: 11,93

Relação entre os rendimentos médios (B/A = R$ 3.579,82 / R$ 226,32): 15,8.

- Para os 40% mais pobres uma população estimada em 30.430.000 temos um rendimento médio mensal de R$ 226,32 (ou 0,75 salários mínimos).

- Para os 10% mais ricos uma população estimada em 7.610.000 temos um rendimento médio mensal de R$ 3.579,82 (ou 11,93 salários mínimos).

A relação entre os rendimentos médios mensais dos 40% mais pobres de R$ 226,32 e dos 10% mais ricos de R$ 3.579,82 é de 15,8 , i.e., os 40% mais pobres ganham 15,8 vêzes menos do que os 10% mais ricos.

Mas se temos uma PEA de 96.000.000 e se somarmos os 40% mais pobres (38.400.000) e os 10% mais ricos (9.600.000) teremos 48.000.000 (50%). Isto é, os 50% restantes da PEA, ou 48.000.000, estão entre os que recebem um rendimento médio mensal de mais de R$ 226,32 e de menos de R$ 3.579,82. Para a PEA estes rendimentos médios mensais intermediários representam no Brasil a classe média? Está certo concluir assim?

Se nos acostumamos a ouvir a classificação da classe média brasileira em classe média baixa, classe média propriamente dita e classe média alta, e, que as três subdivisões representam a classe média brasileira, i.e., 50% da PEA? 48.000.000?

Vejamos também: os 10% mais ricos, 9.600.000, não representam por si só a classe alta, a que nos acostumamos a ouvir que é de 1%. Mas 1% do que? Da PEA ou da população total? Dentro desses 10% mais ricos, devem estar incluídos a classe média propriamente dita e a classe média alta? Basta observar que basta ter um rendimento médio mensal igual ou acima de R$ 3.579,82 para estar entre os 10% mais ricos da PEA.

Disse o presidente Lula: "Toda vez que a gente tenta ajudar os pobres aparece uma ciumeira".

O Governo Lula parece não ficar muito confortável quando a classe média demonstra insatisfação total com ele (Governo). A classe média brasileira está mais próxima da classe baixa do que da classe alta. Percebe as grandes deficiências da saúde pública, da educação pública, da falta de habitação e de infraestrutura , e, o que essas deficiências representam para todos, pobres e "médios mais pobres" e "médios" e "médios mais ricos". Necessita diretamente desses mesmos serviços públicos.

Disse o Governo Lula, sob as considerações de "assessores graduados" (como está na Veja), que a classe média:

1. "Não teria se dado conta que também está ganhando com o crescimento do país".
Não teria se dado conta? Pergunto: pode a classe média não se dar conta do crescimento real de um país?

2. "Por puro preconceito a classe média 'tradicional' estaria incomodada com a classe média 'emergente' ".
O que é ou quem são a classe média "tradicional" e a classe média "emergente", para o Governo Lula? Não conhecia mais essa classificação que Governo Lula atribuiu à classe média (tradicional e emergente). Onde cada cidadão da classe média se posicionará, na classe média "tradicional" ou na "emergente"? Já que tirando ricos e pobres da PEA ela é simplesmente mais do que a metade?

Se eu fosse Governo, trataria de trabalhar para a classe média também. Como merecem atenção a classe baixa e classe alta neste Governo. Não tem nada a ver com preconceito ou falta de percepção, presidente Lula. Acredito que a classe média queira um país melhor para todos, um país com melhor distribuição de renda, menos desigualdades.

A classe média não quer apenas pagar a conta desse desenvolvimento meia boca, desse enriquecimento ilícito do poder econômico e do poder político. Quer também melhores condições porque a vida é difícil no Brasil (também não é nada fácil) para a classe média.

Realmente, Presidente Lula, seu Governo deve estar muito incomodado com a classe média. Mas lembre-se, ela não recebe nem bolsa família nem bolsa BNDS (como disse Reinaldo Azevedo, apenas para citar o dono desta reflexão, um homem de direita que não sei bem o que ele quer e o que ele defende e, sobretudo, qual sua "agenda oculta"; muitos o chamam de fascista, e, fascismo para mim é crime). E, tenho certeza, por não estar comprometida com as "bolsas" (família e BNDS) e, ser uma parcela bastante representativa da PEA (mais de 50%), é que a classe média incomoda.

Sabe, Presidente Lula, a classe média se sentiu traída por seu Governo desde o seu primeiro mandato. Acreditou na índole e na vontade deste Governo de tornar este país um país melhor para todos, sem corrupção, sem enriquecimento ilicito e sem formação de quadrilha. Mas seu Governo mostrou estar disposto a ceder ao poder econômico, pura e simplesmente, e, dar as costas às necessidades da sociedade brasileira como um todo. Mostrou ser igual a qualquer poder político que se preste: seguir o que determina a cartilha do poder econômico.

sábado, 24 de novembro de 2007

DEMOCRACIA REPRESENTIVA (CONGRESSO) X DEMOCRACIA PARTICIPATIVA (PLEBISCITOS)

Vejam só o que aconteceu comigo hoje. Estava por volta das 13:30 h (horário de verão), neste sábado 24.11.07, sentada sob a sombra da marquise do edifício onde moro, sentindo o frescor daquela brisa por estar protegida do sol. Já estava lá um gari, se protegendo do sol forte que castiga os que sob ele se aventuram ficar. Era um senhor de uns 60 anos de idade, estava muito vermelho por estar limpando a cidade naquele sol das 12:30h. Faltava-lhe, como me disse, pouco para terminar seu dia de trabalho neste sábado que terminaria às 14:00h. Falamos do calor sob o sol, do extenso percurso que faz todos os dias para realizar seu serviço de limpeza. Trabalha para uma empresa terceirizada pela prefeitura, e, me disse que "ele recebe apenas um salário mínimo mais um sacolão se não tiver falta alguma no mês". Disse-me também que "acredita que a prefeitura paga bem seus patrões que devem ficar com a maior parte e, por isso, lhe pagam tão pouco". Desejamo-nos um bom final de semana e lá se foi aquele homem que falou também que "são raras as pessoas que lhes olham como pessoas e que conversam ou lhes ajudam, mas que elas existem"; e, lamentou "os que não se importam com ninguém". Dentre todas as coisas que em 10 minutos conversamos, houve até uma consideração final, por parte dele, a respeito da vida, que foi: "eles deveriam agradecer que o pobre existe para limpar a sujeira".
Dirão os que acusam ferozmente e com sarcasmos a "nova esquerda latinoamericana" que ele é vítima do proselitismo desta esquerda. Bobagem... Ele representa a parcela que pensa e sabe o que acontece a sua volta, percebe o mundo e seu lugar nele mesmo sem ter podido estudar história, sociologia ou economia (apenas para citar algumas); representa a parcela imobilizada pela força do poder econômico que não lhes dá verdadeiras e concretas oportunidades, sejam pelas políticas da direita neoliberal quanto da nova esquerda latinoamericana, só para ficar restritas às duas correntes que nos são mais próximas aqui.
As desigualdades sociais causadas pela má distribuição de renda não permite que modelo algum de governo, que se esquive de reparar e equilibrar estas diferenças, possa ser legítimo.
A democracia representativa que temos aqui no Brasil já não há sinônimos e adjetivos que se possam usar para se ser um pouco original; resumindo, não representam o povo, representam o interesse do poder econômico e o enriquecimento ilícito às custas do dinheiro público, e, portanto, dinheiro do povo. Sempre, vejam bem, sempre foi assim. Não foi o PT que criou esse circuito de corrupção, mas infelizmente, fez uso dele indiscriminadamente traindo o povo. Para desalento do povo, ninguém é punido. O poder judiciário, juntamente com os poderes executivo e legislativo, faz parte do todo para manter subjugado o povo, sob a força do poder econômico.
Por outro lado, a democracia participativa, da nova esquerda latinoamericana, aparece como uma alternativa, mesmo que como uma falsa ilusão, de que o povo imobilizado já não tem nada a perder.
Enganam-se ou querem enganar os que dizem que um povo deixa-se facilmente enganar. Tanto a direita quanto a esquerda imobilizam o povo não lhes dando alternativas nem sequer possibilidades de transformação para uma sociedade mais igualitária e humanista. Mesmo na sua "ignorância" o povo sabe muito bem distinguir e julgar o que está certo e errado e, como qualquer indivíduo que pertence a uma sociedade, pode optar em caminhar por caminhos diversos.
A democracia representativa da política neoliberal, pelo seu fracasso como sistema de governo, é a responsável pelo avanço da democracia participativa da nova esquerda latinoamericana. E, já dá mostras latentes de seu fracasso, não só aqui, mas em todas as partes do mundo, inclusive na Europa, berço do respeito à propriedade e à liberdade.
Todos os sistemas vivos tendem ao equilíbrio, mesmo que renasçam do caos. Todo o esforço e energia gastos para se manter um sistema num estado metaestável, acabarão se exaurindo, e, forçando à estabilidade. Quem sabe não se exauriram essas forças do poder econômico a favor de poucos? Tudo tem um fim e tudo tende ao equilíbrio.
Não há mais como manter essa brutal desigualdade social sem consequências desastrosas, bem maiores das que já estamos vivendo.

sábado, 17 de novembro de 2007

UM EXERCÍCIO DE CIDADANIA: PENSAR (CONTINUAÇÃO)

No último censo (2005) o Brasil tinha uma população estimada de 167.000.000 (não lembro muito bem e não encontrei este dado para confirmação, mas deve ser entre este número e 170.000.000 de habitantes para a arredondá-lo).
Então, vamos refletir juntos, já que a subjetividade já não parece suficiente, i.e., não basta sentir tem que demonstrar o que se sente. Vamos lá, então, juntos e me ajudem a entender estes números de 2005 e sua relação com a subjetividade dos fatos:
População: 167.000.000
População Economicamente Ativa - Urbana e Rural (PEA): 96.000.000 (entre empregados com carteira assinada, empregados sem carteira assinada, militares e estatutários, trabalhadores domésticos, conta própria e empregadores).
Rendimento médio mensal total: R$ 840,50 (entre empregados com carteira assinada, empregados sem carteira assinada, militares e estatutários, trabalhadores domésticos, conta própria e empregadores).
Distribuição dos 40% mais pobres, da população ocupada (A):
Total (A): 30 430 000
Rendimento médio mensal de todos os trabalhos (A): R$ 226,32
Sálarios mínimos: 0,75
Distribuição dos 10% mais ricos, da população ocupada (B):
Total (B): 7 610 000
Rendimento médio mensal de todos os trabalhos (B): R$ 3.579,82
Sálarios mínimos: 11,93
Relação entre os rendimentos médios (B/A = R$ 3.579,82 / R$ 226,32): 15,8.
Em 2005 (apenas 2 anos atrás) tínhamos uma população de 167.000.000 para uma população economicamente ativa (PEA) de 96.000.000 (entre empregados com carteira assinada, empregados sem carteira assinada, militares e estatutários, trabalhadores domésticos, conta própria e empregadores). Isto corresponde a uma PEA de 57,5% (96.000.000). O restante 42,5% ou 71.000.000 devemos considerar crianças, jovens, idosos, incapacitados para o trabalho, capacitados para o trabalho mas sem trabalho).
O rendimento médio mensal de todos os trabalhos para esta PEA urabana e rural de 96.000.000 (57,5%) era de R$ 840,50. É um bom número? Apesar de todos os sentimentos ou subjetividade contrários a essa constatação numérica dos rendimentos médios mensais da PEA, - levantados pelo censo 2005 - é uma boa média se considerarmos que a grande maioria da população pertence às camadas mais pobres. Por que não parece ser um número real pela nossa percepção? Perece-me que ou os números estão errados ou nossas percepções. É mais da metade da população trabalhando (57,5% e tendo um rendimento médio mensal de R$ 840,50.
Perguntas:
1. A China com seus salários baixos irá mesmo puxar este valor para baixo? Espero que não.
2. A tão necessária inclusão social dosx que estão fora do mercado formal e informal do trabalho irá puxar este valor para baixo? Espero que não.
Passando para outras considerações do Censo 2005, onde avaliamos a distribuição dos 40% mais pobres e dos 10% mais ricos entre a PEA, temos:
- Para os 40% mais pobres uma população estimada em 30.430.000 temos um rendimento médio mensal de R$ 226,32 (ou 0,75 salários mínimos).
- Para os 10% mais ricos uma população estimada em 7.610.000 temos um rendimento médio mensal de R$ 3.579,82 (ou 11,93 salários mínimos).
A relação entre os rendimentos médios mensais dos 40% mais pobres de R$ 226,32 e dos 10% mais ricos de R$ 3.579,82 é de 15,8 , i.e., os 40% mais pobres ganham 15,8 vêzes menos do que os 10% mais ricos.
Mas se temos uma PEA de 96.000.000 e se somarmos os 40% mais pobres (30.430.000) e os 10% mais ricos (7.610.000) teremos uma PEA de 38.000.000 (50%). Isto é, os 50% restantes da PEA estão entre os que recebem um rendimento médio mensal de mais de R$ 226,32 e de menos de R$ 3.579,82. Para a PEA estes rendimentos médios mensais intermediários representam no Brasil a classe média? Está certo concluir assim?
Mas se incluirmos os incapacitados para o trabalho e os capacitados para o trabalho mas sem trabalho, como ficaria a classificação (já que eles não são contemplados na PEA) por classes: classe baixa, classe média baixa, classe média, classe média alta e classe alta? Hoje se fala em classe A, B, C, D e E (tem mais?). Onde cada brasileiro se enquadra? Gostaria de saber.
Vamos exercitar nossa cidadania? Ajude-me a refletir sobre estes dados, comente-os, comente minhas considerações, corrija-as.
O que, nós brasileiros, queremos para todos e para este país?

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

UM EXERCÍCIO DE CIDADANIA: PENSAR

Quando nada mais parece fazer sentido, e, nos parece tudo uma grande farsa, temos de parar, refletir e pensar sobre as nuances de tudo o que se fala e se faz. Já não dá mais para aceitar tudo o que nos querem fazer acreditar ou desacreditar. A dicotomia aparentemente existente entre capitalismo e socialismo já não é mais tão facilmente aceita, quando ambos, representam os interesses do poder econômico, também aparentemente distintos.
Percebe-se as dificuldades mundiais em se manter o equilíbrio entre, de um lado, a ganância dos poucos que não querem abrir mão do poder econômico em benefício de uma melhor condição de vida para todos, e, de outro lado, a inércia e o conformismo, em estado latente e inevitável de entrar em movimento, dos muitos que são explorados e deixados a margem deste poder.
Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário no Brasil sempre representaram os interesses globais deste poder econômico. Nada de novo, mas uma dúvida, embora simples, persiste em não querer encontrar respostas: como e por que o poder econômico doma a grande massa de cidadãos que não consegue e, parece não querer, que mudanças igualitárias e humanistas prevaleçam acima de interesses econômicos desiguais e cruéis.
O socialismo sucumbiu na prática em promover estas mudanças, justamente porque, apesar de teoricamente se autodenominar como a única forma de se promovar justiça social e combater a desigualde, atende também aos interesses do poder econômico de direito para poucos.
O capitalismo neoliberal, apesar de se autoproclamar o único meio que promoverá melhores condições de vida a todos, nem em tese, pode se fazer acreditar.
Vamos falar em números que parece nos afastar da subjetividade de nossas opiniões. Fonte IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio 2005 (Inclusive as pessoas sem declaração de posição na ocupação):
1. Rendimento médio mensal de todos os trabalhos das pessoas de 10 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de referência, com rendimento de trabalho, por posição na ocupação no trabalho principal segundo as Grandes Regiões, Unidades da Federação e Regiões Metropolitanas (R$) / Brasil:
  • Total: R$ 840,50.
  • Empregados com carteira assinada: R$ 855,40.
  • Empregados sem carteira assinada: R$ 488,30.
  • Militares e estatutários: R$ 1.453,10.
  • Trabalhadores domésticos: R$ 401,40.
  • Conta própria: R$ 637,60.
  • Empregadores: 2.554,70.

2. Distribuição dos 40% mais pobres e dos 10% mais ricos da população de 10 anos ou mais de idade, ocupada na semana de referência, com rendimento de trabalho, rendimentos médios mensais de todos os trabalhos, em reais e em salários mínimos, e relação entre rendimentos médios - 2005 / Brasil:

  • 40% mais pobres da população de 10 anos ou mais de idade ocupada (milhões): 30,43 (A).

Rendimentos médios mensais de todos os trabalhos:

- R$ 226,32

- Salários mínimos: 0,75 salários.

  • 10% mais ricos da população de 10 anos ou mais de idade ocupada (milhões): 7,61 (B).

Rendimentos médios mensais de todos os trabalhos:

- R$ 3.579,82.

- Salários mínimos: 11,93 salários.

  • Relação entre os rendimentos médios (B/A): 15,8.

3. População Economicamente Ativa - PEA de 10 anos ou mais de idade, por situação do domicílio e sexo, segundo as Grandes Regiões, Unidades da Federação e Regiões Metropolitanas - 2005 / Brasil:

Total:

  • Total: 96 031 971
  • Homens: 54 290 827
  • Mulheres: 41 741 144

Urbana:

  • Total: 78 210 785
  • Homens: 43 366 059
  • Mulheres: 34 844 726

Rural:

  • Total: 17 821 186
  • Homens: 10 924 768
  • Mulheres: 6 896 418

Com uma população economicamente ativa em 2005 de 96 031 971, tínhamos um rendimento médio mensal total no Brasil, de R$ 840,50.

Analisemos a situação do Brasil em 2005 dos 40% mais pobres e dos 10% mais ricos (exposto acima) com relação aos rendimentos.

Não consegui encontrar a população total do Brasil em 2005, acredito que era de 167.000.000 a 170.000.000 neste último censo. Em 2007 o IBGE já estima uma população de184.000.000.

Vou continuar tentando encontrar este dado, e, assim, vamos fazer um exercício matemático e de análise destes dados baseados no número de habitantes, no número de habitantes economicamente ativos, nos 40% ocupados mais pobres, 10% ocupados mais ricos, e, então tentar entender melhor este país.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

JÔ SOARES NAS PÁGINAS AMARELAS DA VEJA X STEPHEN KANITZ NA COLUNA PONTO DE VISTA DA VEJA SOBRE O TEMA "INTENÇÕES POR TRÁS DAS PALAVRAS"

Foi com surpresa, que "me surpreendi" com a entrevista que Jô Soares deu para a Veja. Não houve cinismo em suas declarações. Se mostrou apenas como um profissional e como um cidadão. Falou do humor no Brasil, - "o país das piadas prontas"-, sempre baseadas em histórias (para mim) tão lamentáveis. Admitiu a sua e a de todos: a vaidade. E, me fez crer que nada parece ter a força de mudar de vez este país, com relação à corrupção institucionalizada nos poderes públicos, nas empresas privadas e nos grupos privados que se beneficiam indevidamente do dinheiro público, como se fosse seu de direito, descaradamente, sem escrúpulos. Para mim, a certeza, de que tampouco adianta fazer humor ridicularizando os envolvidos, porque em nada contribui para fazer acontecer uma mudança efetiva em direção aos valores morais e à ética. É mais uma atitude estéril, como fazer críticas e denúncias em jornais e revistas, em ações da PF nas prisões apenas "temporárias", nas CPIs que defendem e absolvem corporativamente seus membros no legislativo, executivo, judiciário e nas Agências Reguladoras, dos que não respeitam o dinheiro público e se apropriam dele tão facilmente e reconhecidamente como seu. O humor é uma forma de entretenimento. E, como tal, não objetiva mudar nada, mas sim, que tudo permaneça como está. O entretenimento não se engaja, apenas tenta fazer um pouco de "cultura".

Realmente, Stephen Kanitz, me deixou ainda mais confusa. É a segunda vez que escreve sobre o que lemos. Agora ele afirma: "- Se não nos preocuparmos em detectar a agenda oculta de quem nos prega alguma coisa, seremos presas fáceis dos que falam bonito e escrevem melhor ainda-".

Li o Jô nas páginas amarelas tentando prever a "sua agenda oculta", mas para surpresa minha, achei suas considerações bastante desprovidas de "agenda oculta". Embora saiba que somos pessoas, indivíduos, que carregam suas próprias impressões e imperfeições de nossas percepções. Concordo com Stephen Kanitz quando ele diz: "- Muitos escritores, cientistas e formadores de opinião usam e abusam de nossa confiança. -". Concordo que existam muitos que têm má fé e usam de sua condição "privilegiada" de exposição fácil para suscitar o desequilíbrio, e, também, da má fé dos que se favorecem de certas considerações feitas por esses escritores, cientistas e formadores de opinião.

Mas é humanamente impossível ser totalmente imparcial em nossas considerações, porque não seriam nossas. Somos o que pensamos e dizemos ou escrevemos, ou pelo menos deveríamos ser. Para mim, Kanitz com seu insistente alerta acêrca "do que e de quem lemos", me fez tomar mais cuidado em colocar minha opinião e considerações como verdade absoluta sobre qualquer assunto. Não só me fez lembrar das "agendas ocultas" (ou dos interesses ocultos) que fazem parte de considerações e opiniões de muitos que usam de má fé para divulgar uma idéia oculta (ou idéias) nociva no cerne de uma nação, grupo de indivíduos ou além fronteiras; mas, sobretudo, porque me fez tomar mais cuidado no "dizer" algo sobre o que pouco sei. Mas deixar de lado o que sou e o que penso ao escrever ou falar não me é possível. Novamente a ética e a boa fé das pessoas de bem ao escrever ou falar sobre assuntos diversos é que dirá se um texto é digno de crédito ou não. O que não dá é não se engajar em causas maiores que façam diferença e promovam mudanças necessárias ao bem comum. Jô, fazer humor apenas, num "país de piadas prontas", fazer "cultura" apenas por fazer cultura, sem se preocupar com fazer diferença e contribuir realmente para que esse estado de coisas incorretas e injustas acabem, é fazer mal uso da palavra. Não é apenas nos preocupar com o que se diz ou se escreve, mas sim, também nos preocupar em verdadeiramente não nos conformar com esse estado de coisas e efetivamente contribuir para uma mudança.
Não dá para ficar acima de tudo isso. Jô, temos que nos engajar, para não cometer o erro de nada fazer com tudo que nso foi dado para fazer.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

LUCIANO HUCK E A DESIGUALDADE SOCIAL

Vejam só ao ponto que chegamos. Não tenho tido muita vontade de fazer meu exercício de reflexão (se é que posso chamar assim, mas é uma forma de eu parar e tentar refletir acêrca dos acontecimentos que nos envolvem de certa forma todos os dias) de escrever aqui em meu blog.
Passados já alguns dias do acontecido, quando Luciano Huck foi assaltado e desabafou (não sei o que disse ao certo) só sei que teve de dar explicações, muitas explicações. Reforçando a imagem criada e explorada pela "direita" e pela "esquerda" (já não há mais muitas diferenças de comportamento e ideológicas entre ambas - o que importa é estar no poder ou dividi-lo) de rico contra pobre.
Na verdade, para mim, que me encontro naquele nível incômodo de não ser rica nem ser "tão pobre", - não sei se me enquadro na verdadeira classe média, se é que ela existe no Brasil -, fica aquela sensação vazia de não saber o que dizer a respeito. Mas, deixando de lado esta incapacidade de saber ter algo a dizer com clareza e de ter certeza do que se pretende dizer sobre um assunto, este assunto, reflito tentando lançar mão de algumas opiniões observadas que acredito talvez possam estar um pouco mais próximas de uma verdade criada ou absoluta.
Luciano como qualquer outro cidadão tem o direito de ganhar seu dinheiro sim. Como eu, que não sou rica nem tão pobre, me acho no direito de ganhar meu dinheiro com meu trabalho. Apesar de saber que o cerne do problema está na enorme desigualdade social existente provocada pela "velha má" distribuição de renda, da falta de oportunidades igualitárias, tento acreditar de que o Luciano Huck como seus iguais de classe, numa classificação social padrão, ganham seu dinheiro produzindo trabalho, riquezas e oportunidades. Seu programa apenas diverte, não informa nem traz conhecimentos. Mas faz girar uma máquina poderosa de fazer dinheiro, como os jogos de futebol, de basquete, de beisebol, de futebol americano, etc., como os filmes, novelas, etc.. É a força econômica do entretenimento.
Todos trabalham muito, com certeza. Mas cada brasileiro trabalha muito também, só que a maioria não faz girar esta máquina poderosa de criar entretenimento. Não são remunerados com tamanha monta, talvez nem possam ser, mas esta diferença entre remunerações tão desiguais tem de diminuir.
Penso de uma forma simplista: se poucos ganham muito, muitos têm de ganhar pouco. Se a diferença de renda entre um diretor/presidente de uma empresa com relação ao nível mais baixo fosse menor do tem sido haveria a tão proclamada distribuição de renda mais justa e menos cruel. Se a diferença do que ganha uma apresentador de TV, como o Luciano, não fosse um abismo em relação ao funcionário que exerce a mais simples das tarefas para realização do programa, tudo seria melhor. Tudo o que proclamamos como a saída para os males da desigualdade social: falta de educação com qualidade e para todos, falta de um sistema de saúde mais justo, etc., etc., etc., dependem desse "gap" na distribuição de renda (dessa diferença ser menor).
Quando vejo Renans, Jucás, Mercadantes, Idelis, Sarneys, só para citar alguns dos mais conclamados, e, tantos outros de hoje e de ontem, achando que ganham pouco com seus salários e benefícios como deputados e senadores, que precisam enriquecer às custas do dinheiro público em benefício próprio e de seu grupo, fico ainda mais, como dizer, atônita.
E, quando a impunidade e o corporativismo ditam as regras neste país fico, sei lá, achando que este país é uma vergonha? Uma das piores referências mundiais como exemplo do que um país e seu povo nunca devem tolerar?
A fórmula: 1. criar meios de acabar com a corrupção no setor público e privado, excluindo cargos políticos privilegiando os cargos de carreira. 2. punir, sem excessões, qualquer ato ilícito seja lá quem o cometer (com prisão e retorno do dinheiro e dos bens aos cofes públicos). 3. reduzir a desigualdade social promovendo uma distribuição de renda mais igualitária reduzindo as diferenças dos ganhos.
Acho que basta, o resto é competência técnica, administrativa e financeira, integridade pessoal e ética.